Um fim de semana, três bairros e um hotel perto o suficiente para voltar a pé do jantar — o roteiro de Paris que damos aos amigos que já conhecem a cidade.
Dois dias nunca são suficientes para Paris, e é exatamente esse o ponto. Um fim de semana obriga a cidade a entrar em foco: um bairro de cada vez, uma longa mesa de cada vez e um hotel perto o suficiente do centro para voltar a pé do jantar. O que se segue é o roteiro que damos aos amigos que já estiveram lá e querem a cidade em seus próprios termos, não nos do cartão-postal.
Sexta-feira à noite: chegada à Margem Direita
Desça do voo cedo o suficiente para deixar as malas e sair antes de escurecer. A primeira hora em Paris deve ser passada a pé, não numa fila de táxi. Da Place Vendôme, caminhe para o norte pelos jardins do Palais-Royal — as arcadas esvaziam por volta das sete, e a luz sobre a pedra calcária é o melhor espetáculo gratuito da cidade.
No jantar, resista à tentação de reservar o restaurante que todos mencionaram. Uma primeira noite rende mais numa mesa de bairro: um bistrô de esquina no 1º ou no 2º arrondissement, com menu escrita no quadro, um bom Sancerre e um salão frequentado metade por moradores. Amanhã você jantará esplendidamente.
Paris recompensa o viajante que planeja menos e caminha mais. Dois dias, três bairros, um hotel muito bom — essa é toda a fórmula.
Nosso editor de Paris
Sábado de manhã: o Louvre antes das multidões
Reserve o primeiro horário do dia e entre pela Porte des Lions, em vez da Pirâmide. Você terá a ala Denon só para si por talvez quarenta minutos — tempo exatamente suficiente para ver quatro ou cinco coisas como elas merecem. Escolha-as com antecedência e ignore todo o resto: o museu é uma cidade, não uma lista de tarefas.
Saia antes das onze e atravesse o rio pela Pont du Carrousel. Um café no Quai Voltaire, depois os livreiros ao longo do parapeito, depois o almoço.
Sábado à tarde: Saint-Germain e a Margem Esquerda
Declaram o fim de Saint-Germain-des-Prés há uns sessenta anos, e ele continua teimosamente maravilhoso. Passe a tarde entre as galerias da rue de Seine, o Musée Eugène Delacroix — um apartamento e um jardim de pintor, vinte minutos e perfeitamente completo — e o terraço de café que estiver ao sol.
- Marché Raspail nas manhãs de domingo, por produtos que você vai desejar poder levar para casa.
- Rue Jacob e rue de Seine por antiquários e pequenas galerias.
- Jardin du Luxembourg na hora dourada: pegue uma cadeira verde, fique uma hora.
Sábado à noite: jantar e depois uma última taça
Esta é a noite de comer a sério. Os grandes restaurantes dos hotéis de Paris vivem um momento genuíno — a cozinha está mais leve, os salões menos engomados e os sommeliers são jovens. Reserve com seis semanas de antecedência, se conseguir; com três, se tiver flexibilidade quanto ao horário.
Depois, caminhe. O Sena entre a Pont Neuf e a Pont des Arts depois da meia-noite é a razão pela qual as pessoas se mudam para cá.
Domingo de manhã: o Marais, com calma
O Marais está no seu melhor antes das onze, quando as vans de entrega já foram embora e as lojas ainda não abriram. Comece na Place des Vosges, sob as arcadas; depois, o Musée Picasso ou o Musée Carnavalet — este último é gratuito, enorme e conta a história da cidade melhor do que qualquer guia.
Um desvio que vale a pena
Se o tempo colaborar, pegue um táxi até o Bois de Boulogne e a Fondation Louis Vuitton. As velas de Gehry parecem improváveis em fotografias e inteiramente certas ao vivo, e os terraços oferecem a única vista panorâmica de Paris que não depende de fila em uma torre.
Domingo à tarde: um longo almoço e, depois, para casa
O almoço de domingo é a refeição mais parisiense que existe: três horas, sem compromissos, um liter de algum tinto. Reserve para a uma hora, peça uma mesa de canto e não planeje nada depois, exceto a caminhada de volta ao hotel para buscar as malas.
O que deixar de fora
Em quarenta e oito horas não dá para fazer Versalhes, e não se deve tentar: a ida e a volta consomem seis horas, e o palácio merece um dia só para si. O mesmo vale para a fila da Torre Eiffel — veja-a do Trocadéro ao entardecer ou da janela de um hotel e preserve a tarde. Montmartre, também, fica melhor numa terceira visita, cedo, em um dia de semana, quando o funicular está vazio e a praça pertence a quem mora ali.
E deixe de lado o cruzeiro com jantar. O Sena dá o seu melhor dos cais, com os seus próprios pés na pedra.
Onde ficar
Para um fim de semana tão curto, a localização não é um luxo — ela é o roteiro. As três casas abaixo estão a até quinze minutos a pé de praticamente tudo o que está acima, e cada uma entrega uma Paris diferente: a lenda da Place Vendôme, um jardim no Faubourg Saint-Honoré com piscina no terraço e uma maison à beira do Sena, com o rio no fim da rua. Consulte a disponibilidade assim que suas datas estiverem definidas; nessa categoria, o que esgota são os bons quartos, não os hotéis.
Notas práticas
- Quando ir: do fim de abril a meados de junho, ou em setembro e outubro. Agosto esvazia a cidade dos parisienses que a tornam digna de visita.
- Chegada: o RER B a partir de Charles de Gaulle é rápido, mas sem nenhuma graça; um carro contratado com antecedência leva de 45 a 70 minutos e vale a pena depois de um voo longo.
- Museus: quase todos fecham às segundas ou às terças. Verifique antes de montar uma segunda-feira em torno de um deles.
- Reservas: peça ao concierge do hotel no dia em que confirmar a estadia, não no dia da chegada — as boas mesas se esgotam de seis a oito semanas antes.
Dois dias, três bairros, um hotel muito bom. Paris cuida do resto.
Hotéis mencionados
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